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Adaptar-se é preciso

Adaptar-se é preciso.... A boa notícia é que o comportamento adaptativo é uma competência comportamental, também denominada habilidade socioemocional, e como toda competência, pode ser desenvolvida. Vamos pensar juntos como podemos ser mais adaptáveis?

Por Joana Patino  —  26 de Setembro de 2020

Adaptar-se é preciso

Vivemos a Era da Transformação Digital. Conceitos como inteligência artificial, computação em nuvem, blockchain, big data e automação, internet das coisas são um caminho sem volta. E isso provoca impactos significativos na nossa sociedade, nos processos de trabalho e nas pessoas.

Thomas Friedman defende que há três processos que explicam o mundo hoje: o das mudanças climáticas, o mercado e a lei de Moore - que dita que a capacidade dos computadores duplica a cada dois anos.

Ou seja, o mundo está mais acelerado do que nunca. Para dar conta de explicar a realidade que vivemos hoje, em 2010, a sigla de uso militar VUCA é aplicada ao nosso contexto. O mundo VUCA – volátil, incerto, complexo e ambíguo representa bem a realidade em que vivemos e que nos impacta diariamente.

Essas mudanças são apenas uma fase ou são o novo normal? Vários pensadores contemporâneos defendem que este mundo de constantes mudanças é o novo normal e que devemos olhar para isso com tranquilidade e saber como nos adaptarmos.

Precisamos nos adaptar ao excesso de informações, às novas formas de trabalho, às novas tecnologias que surgem cada vez mais rápido, aos diversos papéis que exercemos na vida. E esta adaptação perpassa também pela condição do homem estar produtivo para um mundo que corre e se transforma a cada dia.

O comportamento adaptativo não é novidade. É por meio do deste que as espécies, inclusive a humana, evoluem. Ou seja, impulsionada pela mudança do ambiente, características são transformadas para que a espécie sobreviva.

No mundo do trabalho, não é diferente. O desempenho adaptativo é a capacidade de cada trabalhador desenvolver as suas competências interpessoais, de forma a adaptar-se a novos contextos, é a capacidade de reinventar-se, o que é fundamental para o mercado de trabalho altamente volátil e competitivo que em que estamos inseridos. (Charbonnier-Voirin e Roussel, 2012)

Para que você possa entender o tamanho da volatilidade que estamos falando, em apenas cinco anos, mais de um terço das habilidades que acreditamos ser essenciais hoje para os profissionais terão mudado. Essa informação não é fake News, é do relatório do Futuro do Trabalho, apresentada no Fórum Econômico Mundial.

Diante do novo normal, em que tudo muda a todo instante, não é de se surpreender que a flexibilidade e adaptabilidade são competências cada vez mais valorizadas no mundo do trabalho.

Portanto, sim, se você pretende se manter competitivo, uma boa dose de adaptabilidade é fundamental.

A boa notícia é que o comportamento adaptativo é uma competência comportamental, também denominada habilidade socioemocional ou ainda soft skill, e como toda competência, pode ser desenvolvida.

Gosto de pensar na adaptabilidade como o menino Zé e a caixa de lego.

De acordo com o cenário imaginado por Zé, ele conecta as peças de lego para formar algo novo. Ele explora novos usos para as peças, novas conexões e constrói algo complementarmente diferente a cada vez. Zé também não é apegado aos seus feitos. Se no dia seguinte, uma ele pensa acorda com a ideia de viver uma batalha interestelar, ele prontamente desmonta tudo e conecta novas peças. Talvez, algumas peças, ele ainda não tenha, mas o menino Zé segue adaptando o seu invento para dar conta da brincadeira.

Assim podemos ser na vida, constantemente realizando a observação interna dos nossos recursos, desenvolvendo novas formas de se relacionar com o ambiente a partir das ferramentas que já temos. E se alguma peça estiver faltando, estamos prontos e dispostos para correr atrás para adquirimos.

A adaptabilidade virou figura no mundo de hoje. Tanto que já há como medir essa competência, é o quociente de adaptabilidade (QA), que considera a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mudanças rápidas e frequentes. Há quem defenda que o QA já é mais importante que o quociente de inteligência (QI) e até mesmo do quociente emocional (QE).

Natalie Fratto, investidora em fundadores de startup e escritora, apresenta em um TED Talk “três formas de medir a sua adaptabilidade e como melhorá-la”.

Primeiro, a adaptabilidade pode ser manifestada na sua capacidade de simular situações hipotéticas. E isso perpassa necessariamente por imaginar múltiplas versões possíveis para uma situação. Essa atitude exige que combinemos as informações que temos para além do status quo, do pensamento linear.

Também é possível avaliar a capacidade de adaptação se analisarmos a capacidade de desaprender. Ou seja, o quão você está aberto ao novo e desapegado das suas próprias convicções. Pessoas em constante abertura para questionar o seu próprio conhecimento tendem ser mais adaptáveis.

Por fim, e não menos importante, o comportamento adaptativo está associado à capacidade de explorar novos caminhos, novas alternativas ainda não pensadas. Portanto, a postura inquieta, de constante avaliação sobre o que você fazer de diferente para melhorar a sua performance é um bom exercício para a adaptabilidade.

Se o que você leu aqui fez sentido para você, e se você me perguntasse como pode começar a exercitar a sua capacidade de adaptação, eu diria:

  • Estimule a curiosidade.
  • Olhe para os fracassos ou resultados negativos com o olhar de aprendiz e tire lição.
  • Assuma riscos, é ali que pode estar a oportunidade para o crescimento
  • Tenha uma visão otimista da realidade, pois é ela quem lhe dá motivação para acreditar que vale a pena o esforço.
  • Seja um eterno aprendiz.

Lembre-se, adaptabilidade é uma competência desenvolvível, exige dedicação e consistência, mas é um caminho possível para todos nós.

Joana Patino
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Mentora de Projeto de Vida e Carreira, Educadora e Palestrante no Brasil e em Portugal.
Hoje empreendedora do Conhecimento e nômade digital, tenho uma trajetória de mais de 10 anos de experiência na área de desenvolvimento humano, atuando como gestora de pessoas, consultora de planejamento e gestão e docente universitária.
Tenho como força de assinatura o amor pela aprendizagem, o que me fez acumular os títulos: Mestre em Psicologia, Especialista em Psicologia Positiva pela PUC/RS e MBA em Gestão de Pessoas pela FGV/RJ.
A minha missão? Ajudar profissionais como você a transformarem a relação com o trabalho, com ganhos para a produtividade e para a felicidade autêntica.

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